Um festival identificado com esta região

 e que a projecta para o todo nacional    

27 de Maio a 28 de Junho

EDITORIAL

 

Décima oitava edição da Mostra Internacional de Teatro de Santo André, um festival identificado com esta região e que a projecta para o todo nacional. A Mostra é fruto da forte convicção na capacidade de projectos culturais gerados pela iniciativa da sociedade civil poderem aglutinar vontades, desenvolver dinâmicas de base e contribuír para o efectivo desenvolvimento cultural das populações. Contra as condições adversas cíclicas, a Mostra tem-se reinventado e aguentado, ano após ano, sem se desvirtuar, sem perder o rumo, sem cedências ao que definimos como fundamental. Porém, o desgaste faz-se sentir de forma acentuada e um dia destes, quem sabe, talvez venha a morrer de síncope e sem aviso prévio... O percurso de implantação e aperfeiçoamento deste festival contou com a confiança e o imprescindível apoio das autarquias locais e os patrocínios de entidades públicas e empresas da região. Igualmente importante foi a criação de uma rede de contactos, parcerias e cumplicidades com algumas estruturas de criação artística, tanto nacionais como estrangeiras, que nos têm permitido continuar, apesar dos constrangimentos e das limitações próprias da AJAGATO e do país. De facto, a Mostra cresceu muito, mas continua a evidenciar as fragilidades financeiras e organizativas há muito conhecidas, só compensadas pela experiência acumulada ao longo dos anos e pelas rotinas de trabalho que permitem rentabilizar os parcos recursos e pôr de pé, edição após edição, este grande festival de teatro. Objectivos claros e elevados níveis de exigência artística fazem da Mostra um fenómeno de popularidade e de adesão de público,  que nos motivam e dão verdadeiramente sentido a um festival de teatro, para mais como este, nascido a partir da actividade complementar de uma escola e sustentado pela dinâmica local numa região periférica, onde a sua existência é já por si um facto extraordinário. Mais uma vez, move-nos a expectativa de que 18ª MITSA continue a gerar um forte impacto nesta região alargada e reforce o entusiasmo pelo fenómeno teatral junto de grande número de espectadores indiferenciados e provenientes de extractos sociais diversificados, tanto em Santo André como nas regiões por onde se estende.

 

Destaques do programa
A componente nuclear continua a ser Santo André e Santiago do Cacém, onde se apresentarão todas as propostas do programa. Este ano, porém, aumenta o número de ofertas na sede do concelho, um interesse que nos apraz registar e que procura dar continuidade ao aumento dos índices de público verificado em 2016. Para além disso, alguns dos espectáculos, nomeadamente os internacionais, circulam por outras localidades, de acordo com as características dos espaços e das estratégias de captação de público que vamos tentando aperfeiçoar com cada uma delas.
Nesta edição, a Mostra estende-se a 14 localidades, envolvendo quatro concelhos do litoral alentejano e incluindo ainda funções em Setúbal e em Lisboa. Ao todo, teremos um mês recheado de espectáculos marcados pela singularidade e pela diversidade de linguagens que são traços dominantes da Mostra. Por se tratar de um certame internacional, teremos 3 companhias vindas respectivamente da Polónia, da Colômbia e de Espanha: o Warsaw Mime Center, a Casa del Silencio e Les Bouffons; com elas teremos 4 espectáculos diferentes, selecionados com base nas suas características estéticas e técnicas, mas que não põem em causa a recepção do público, já que utilizam uma linguagem universal, a do teatro físico. Vale a pena sublinhar que a companhia polaca é uma das mais prestigiadas no seu segmento, tendo-se já apresentado em cerca de duas dezenas de países e o seu director é responsável por um dos mais importantes festivais de teatro físico da Europa, onde o GATO SA estará igualmente presente na edição de 2017.  Das propostas nacionais, assinalamos pela primeira vez a presença do Teatro do Bairro numa co-produção com o Teatro da Trindade e uma encenação de António Pires. Depois teremos o regresso do Teatro Meridional, no ano em que comemora o seu 25º aniversário, com um espectáculo que há muito desejávamos receber em Santo André: “Contos em Viagem – Cabo Verde”. De sublinhar também o regresso de uma das companhias mais acarinhadas por estas bandas, a Cª do Chapitô e a sua versão peculiar de “Electra”. Mas é com muita satisfação que trazemos até nós uma vez mais a Barraca, desta vez com “1936, o Ano da Morte de Ricardo Reis” e o Teatro de Montemuro, entre uma dezena de companhias profissionais portuguesas, bem conhecidas do grande público que dão a garantia de mais um extraordinário programa artístico.  No dia 27 de Maio, abrimos com um espectáculo oferecido pela Junta de Freguesia de Santo André a toda a população. “Outcast” é um espectáculo de Dança apresentado pelo Teatro do Mar no Parque Central e com o qual queremos dar início da melhor maneira à 18ª MITSA. Estes espectáculos ao ar livre têm atraído, nos últimos anos, largas centenas de pessoas, porventura menos habituadas a estas manifestações culturais, pelo que insistimos e reforçamos esta componente incluindo um espectáculo diferente na Quinta do Chafariz em Santiago do Cacém, concretamente a Companhia de Teatro da Serra de Montemuro com o seu mais recente trabalho, “Exploradores da Serra”, que também poderá ser visto em Porto Covo. Estes são espectáculos que, apesar da grande qualidade, são de entrada livre e com os quais se pretende despertar o interesse pelo teatro e alargar o universo dos potenciais espectadores.  Durante a primeira semana e assinalando o Dia Mundial da Criança teremos duas propostas teatrais, uma de contos para os mais pequeninos do pré-escolar, pela extraordinária Ana Sofia Paiva e cinco sessões de um espectáculo da Cª de Teatro de Almada, oferecido pela CMSC a todas as crianças do 1º ciclo do concelho.
A Abertura oficial desta edição será a 2 de Junho, com a Cª do Chapitô, para a qual programámos duas sessões, uma à tarde e outra à noite, de modo a corresponder à expectativa de todos e abrir oficialmente a Mostra com o maior número possível de espectadores.

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