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Um espectáculo de teatro físico

L’ESQUISSE

O PROJECTO

O projecto "L'Esquisse" surge da vontade de três jovens actores, recém formados na Escola International de Teatro Jacques Lecoq, em aplicar os conhecimentos adquiridos nos dois intensos anos de curso em Paris. Marc Duchange (francês), Ulima Ortiz (franco/colombiana) e Tomás Porto (português) serão os intérpretes/criadores deste projecto. Move-os a partilha da mesma linguagem técnica e a vontade de criar um espectáculo em conjunto, em que a criação dramatúrgica, a concepção teatral e a própria direcção seja partilhada por todos. Desta forma, as diferenças culturais e os diferentes caminhos teatrais percorridos pelos três constituem um factor de enriquecimento do processo criativo.

A companhia de teatro GATO SA, a que um deles pertence, acolhe o projecto nas suas instalações e enquadra-o na programação para 2018.  O trabalho realiza-se em residência de criação, com o apoio técnico e de produção da AJAGATO e com a coordenação e apoio dramatúrgico do director da companhia Mário Primo.

O corpo e o silêncio são os lugares da exploração na busca da transposição da vida para um universo sensível, universal e simbólico.  L’Esquisse é um  espectáculo despojado e de natureza poética, uma proposta de teatro físico baseada em técnicas como a linguagem do gesto e da máscara, o melodrama e o absurdo e onde é diminuta a utilização da palavra.

A COMPANHIA

O GATO SA nasce em 1988 numa escola do recém-criado Centro Urbano de Santo André. O grupo cresce com a própria cidade e contribui para dar uma identidade cultural à sua população e promover a região a nível nacional. Um grupo de teatro ambicioso e exigente que valoriza a pesquisa e a formação, criando uma praxis e uma estética próprias, dando origem a vários projectos de grande dimensão, de que se destacam a Mostra Internacional de Teatro e a revista cena’s. A inexistência de um auditório municipal em Santo André leva o GATO a criar nas instalações escolares, algumas infraestruturas físicas e técnicas que permitem o desenvolvimento sustentado das Artes de Palco.

Durante muitos anos o grupo trabalha regularmente com jovens dando-lhes uma formação teatral de base e um conhecimento e respeito pelo Teatro como uma das mais importantes manifestações artísticas da humanidade. Nos últimos anos, porém, tem privilegiado produções profissionais envolvendo actores e técnicos saídos desta dinâmica local.

Como metodologia de trabalho, o grupo procura caminhos novos em cada produção com projectos que enriqueçam o seu repertório e contribuam para explorar outras áreas da sua formação. Os espectáculos do GATO procuram diversificar-se nas abordagens e nas linguagens teatrais sempre com propostas de elevados níveis de qualidade e exigência. Os espectáculos do GATO dirigem-se à globalidade dos sentidos e orientam-se por aquilo que gostamos de designar por “Teatro de Arte”.

PROCESSO DE CRIAÇÃO

Sem um texto como ponto de partida, começámos apenas com a vontade de contar uma história simples e sensível com a qual o público se pudesse identificar.

Encontrada a história que nos movia por dentro iniciámos a viagem através de improvisações orientadas por estilos específicos, sempre atentos à coerência dramatúrgica e à mensagem que queríamos passar ao público. Feita a selecção do material resultante desta fase de pesquisa começámos a construir cenas e a aperfeiçoá-las técnicamente. Encontrar os sentidos e as intenções das personagens, a autenticidade das acções e a legibilidade das relações entre elas, foram preocupações constantes do colectivo.

Finalmente, juntámos todo o material adaptando-o à cenografia, à música e ao desenho de luzes que tiveram igualmente um papel importante em todo o processo, a fim de criar um conjunto o mais orgânico possível.

Sobre a música  (Marco Martins)

Um dos factores que mais me atraiu neste trabalho, foi o facto de no primeiro ensaio me ter deslumbrado com uma história simples e abrangente, que nos toca a todos. Fruto da confiança, de uma constante comunicação com os actores/criadores, e da adaptação ao desenvolvimento dos ensaios, nasceu uma paleta de composições originais assim como sons e músicas manipuladas, marcadas sobretudo pelo ritmo. Esta opção deveu-se ao facto de não haver quase nenhum texto, sendo o ritmo do movimento e as emoções por ele criadas o meu principal ponto de apoio. Embora o Jazz e o Blues fossem o “mote” para a música da peça, rapidamente apareceram outros sons, motivados pelo desenrolar da acção, que me levava a tratar cada cena como um quadro sonoro. Um esboço partilhado, até ao momento de se tornar uma obra!

Nota do director da companhia

Este é um projecto nascido em Paris e concretizado nesta pequena localidade portuguesa, onde os três actores sabem encontrar as necessárias condições de enquadramento físico e de produção apoiada para uma iniciativa como esta.

O trabalho assenta em princípios de autonomia determinados pelo grupo que recusa ingerências no que são os seus propósitos criativos. Consigo trazem uma ideia estruturante que depois vão desenvolvendo em longas jornadas de reflexão, logo experimentadas no palco em forma de acções teatrais. É uma experiência intensa e desgastante, onde a fragilidade dos processos é compensada pela energia e determinação dos actores, reforçadas pela identidade comum gerada na escola Jacques Lecoq. Os jovens sabem bem qual o registo que pretendem utilizar e quais as aprendizagens mais significativas que querem veicular em termos artísticos. Com o avançar do trabalho surgem as naturais variações de ânimo e as inseguranças, já que os actores chamam igualmente a si as funções do dramaturgista e do director. Com o amadurecimento do projecto, o grupo faz opções difíceis: abandona corajosamente algumas ideias de base, inflecte caminhos, envolve outros colaboradores e encontra, na sua própria experiência de vida e nas suas memórias afectivas, uma história para contar.  

Assim nasceu “L’Esquisse”, em francês porque foi essa a língua de trabalho ao longo de cerca de cinco meses. Um esboço que se foi transformando progressivamente na forma depurada que queremos mostrar ao público. Um trabalho teatral com uma narrativa simples em que os espectadores podem encontrar elos com a sua própria experiência de vida, mas em que o resultado final é muito mais do que a história que se conta;  um espectáculo de teatro físico, visual e emotivo capaz de ser recebido por um espectro alargado de públicos, os mais ou menos entusiastas e de todas as idades.

SINOPSE

Leo é um menino solitário, introvertido e sonhador. O trabalho do pai obriga-o a ausências prolongadas e Leo sofre com isso. Para preencher o vazio refugia-se no quarto e dá vida a um amigo imaginário, seu confidente, refúgio, fonte de imaginação e estimulo de uma paixão crescente pela pintura. Com o passar dos anos, este interesse, inicialmente substituto do afecto paternal, vai ganhando força. Leo isola-se cada vez mais, enquanto a relação entre os progenitores se degrada progressivamente. A frustração cresce no seio do casal e a separação torna-se inevitável. Leo renega tudo o que se relaciona com a paixão de infância e o amigo de sempre. É um acto de revolta, uma reacção à partida do pai.

O jovem é agora o “homem da casa”, assume responsabilidades e entra com determinação no mundo do trabalho.  Aos poucos deixa-se envolver pela frieza das relações humanas na competição constante pela superação dos objectivos e singra em termos profissionais, afastando-se progressivamente da mãe, do passado e da criança que antes era.

Leo fez-se homem, mas uma ferida profunda sangra em silêncio até ao dia em que o passado o alcança novamente.

 

 

Ficha Técnica

Intérpretes /criadores

      Marc Duchange

       Tomás Porto

       Ulima Ortiz

 

Assistência de Direcção e Damaturgia

       Mário Primo

 

Desenho de Luz

       Rui Senos

 

Música Original e Sonoplastia

       Marco Martins

 

Cenografia e Figurinos

       Carolina Santos

      

Construção do Cenário

       Marco Martins, Carolina Santos

 

Construção de Adereços

         Albert Duchange

 

Máscaras

         Helena Rosa, Mário Primo

 

Desenhos

         André Pacheco

Design Gráfico

        Pedro Dias

 

Fotografia

        Victormar

 

Produção

       AJAGATO

Marc Duchange

Actor, criador e encenador francês nascido em 1991. Começou a sua formação em teatro na escola d’Aquitaine, na qual integra a companhia Pierre Debauche e participa numa dezena de criações (Racine / Shakespear / Kleist). Em 2004 representa o papel de Teobaldo em Romeu e Julieta dirigido por Pieryk Vaneuville. Cria em paralelo le monte-plants de Harold Pinter dirigido por Agnes François. Em 2015 integra a Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq durante dois anos. Assim que termina a sua formação começa duas criações colectivas. A primeira, um espectaculo de teatro físico em Portugal e a segunda, um espectáculo de rua em Paris. É membro do colectivo FIRST ROUND International Creative Platform.

Tomás Porto

Nasceu em 1992 e iniciou a sua formação teatral no GATO SA integrando o elenco de vários espectáculos, nomeadamente do “Vai Vem” com o qual participa numa digressão internacional. Formou-se em teatro na Universidade de Évora onde trabalhou com João Grosso, Fernanda Lapa e Natália Luiza Figueiredo, entre outros. Frequentou diversas outras formações complementares nomeadamente com Juan Carlos Agudelo Plata (Casa del Silencio), Carlos Simioni, Renato Ferracini y Ricardo Puccetti (Lume Teatro). Em 2015 integra a Escola Internacional Jacques Lecoq onde conclui o curso profissional com a duração de 2 anos. É membro do colectivo FIRST ROUND International Creative Platform.

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INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Ulima Ortiz

Actriz franco-colombiana, natural de Nîmes. Descobre o teatro com 11 anos e forma-se em arte dramática na escola Teatro Libre de Bogotá (2018). Integra várias companhias profissionais: Casa del Silencio dirigida por Carlos Agudelo, pioneiro da técnica de mimo corporal dramático na Colombia;  Quinta Picota; Teatro Libre, companhia de teatro clássico. Participou em várias edições do Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá. Realizou diversas tournées pelo país dando formação de voz e movimento. Em 2015 decide proseguir o seu percurso no teatro físico ingressando na formação de dois anos da Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq. Em Paris fará encontros decisivos para a sua carreira e cria com antigos alunos da escola The Klump Company e FIRST ROUND International Creative Platform.

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